A DEMOCRACIA BRASILEIRA COM A FACA NO PESCOÇO

Há dois  dias do segundo turno das violentas eleições presidenciais, uma parte da sociedade simpatiza com as ideias do candidato de extrema direita,  que se eleito, levará o Brasil de volta ao autoritarismo e à usurpação de direitos

Foto: Mídia Ninja

O mundo assiste atônito o violento caos das eleições presidenciais no Brasil. A imprensa internacional denuncia os instintos autoritários de Jair Bolsonaro e os riscos da democracia brasileira. Bolsonaro é um congressista no sétimo mandato que venera ditadores e armas e propõe, que a polícia tenha permissão para matar supostos criminosos, e ameaça banir e prender opositores. Sem falar na desvalorização e criminalização de mulheres, negros, LGBTs, trabalhadores sem terra, indígenas e nordestinos.

Uma grande aliança democrática se uniu em torno do candidato do partido dos trabalhadores, Fernando Haddad, que foi  ministro da Educação do governo Lula e ex-prefeito da maior capital brasileira, e é professor.  Além de lidar com a forte oposição ao PT, Haddad tem que lidar com uma campanha, nunca vista antes, de Fake News, envolvendo seu nome e de sua vice, Manuela Dávila.

O esquema milionário e ilegal de caixa 2 envolvendo empresários e a campanha de Jair Bolsonaro (PSL) para a disseminação de fake news no Whatsapp contra seu adversário, Fernando Haddad (PT), foi denunciado uma semana antes das eleições pelo jornal Folha de S. Paulo e ganhou espaço nos principais jornais do mundo, entre eles o The Guardian, do Reino Unido, e o The New York Times, dos Estados Unidos.

O jornal inglês  The Guardian replicou as informações do jornal brasileiro e identifica Bolsonaro como “representante da extrema-direita”, além de “populista pró-tortura que elogia a ditadura”. O  norte-americano The New York Times foi pela mesma linha. Além de trazer a denúncia do jornal Folha de S. Paulo, afirma que o esquema de fake news utilizada por Bolsonaro viola as leis brasileiras. “A disseminação de informações falsas nas redes sociais se generalizou nos preparativos para o segundo turno presidencial do dia 28 de outubro”, diz o artigo. O também inglês The Telegraph foi outro jornal internacional a repercutir o escândalo e chamou Bolsonaro de “candidato favorito à extrema-direita”. O espanhol El País divulgou  artigo  que compara o capitão da reserva brasileiro ao presidente das Filipinas, Rodrigo Duterte que, depois de se eleger presidente, comandou o extermínio de milhares de pessoas sob o argumento da guerra ao narcotráfico.

Em pesquisa divulgada na  última quinta-feira, a distância entre os candidatos a presidente Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT) caiu de 18 para 12 pontos em uma semana, aponta pesquisa do Datafolha.

Não é apenas uma eleição turbulenta, a democracia brasileira está em risco. Haddad recebeu apoio de políticos divergentes e notáveis que jamais votariam no PT. Tudo em nome da tentativa de impedir que o candidato da extrema direita chegue ao poder. Todos aqueles que defendem a democracia brasileira têm declarado seu apoio a Haddad nos últimos dias. As diferenças partidárias foram deixadas de lado neste delicado momento em que a democracia têm uma faca no pescoço.

Inúmeras ações estão sendo realizadas por apoiadores de Haddad nas redes sociais e nas ruas brasileiras. Uma conta no instagram com o nome  vira voto foi criada para compartilhar experiências e apoiar as pessoas na árdua luta de trazer luz a um mar de Fake News espalhadas pelo esquema milionário do outro candidato e como explicar aos eleitores de Bolsonaro os riscos que toda a sociedade corre com sua possível eleição.

Nós do Pad sempre tivemos na Democracia  e a garantia dos Direitos Humanos a nossa pedra fundamental e lutamos incansavelmente pela garantia do Estado Democrático de Direitos e o cumprimento da Constituição Brasileira. Sempre tivemos lado. E o nosso lado é e sempre será dos que mais precisam, dos movimentos sociais, dos movimentos de mulheres, dos que lutam pela moradia, por direitos e por uma sociedade mais justa e igualitária.

Nosso voto é pela democracia.

Desejamos que todos votem conscientemente no próximo domingo. E que possamos celebrar a manutenção da democracia brasileira.

Processo de Articulação e Diálogo Internacional – PAD

 

 

 

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