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Em Cuiabá, mulheres camponesas em marcha defendem direitos sociais

MST - qua, 08/03/2017 - 14:44
Durante a marcha ainda foi realizado um ato em frente ao Ministério Público Federal para exigir dessa instituição uma atuação voltada para a defesa dos direitos coletivos da sociedade
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Mulheres atingidas saem às ruas contra reforma da previdência

Mulheres atingidas saem às ruas contra reforma da previdência

Dia Internacional de Luta das Mulheres é marcado com mobilizações em todos os rincões do país


Nesta quarta-feira, 8 de março, mulheres de todo o mundo ocupam o espaço que historicamente lhes foi negado: as ruas. Aqui no Brasil, nesse Dia Internacional de Luta das Mulheres, as mobilizações ocorrem em todos os cantos do país contra a reforma da previdência.

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Mulheres se mobilizam em solidariedade a presa política do MST no Paraná

MST - qua, 08/03/2017 - 13:22
"Nós mulheres Sem Terra, lutamos contra a criminalização dos movimentos populares e contra a prisão e perseguição política de integrantes do MST"
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Notas de uma mulher negra sobre o 8 de março

Inesc - qua, 08/03/2017 - 12:50

Nesta Semana da Mulher, o Inesc vai atuar em parceria com o site Outras Palavras com a publicação conjunta de artigos que examinam questões importantes de gênero e do movimento feminista em nosso cotidiano.

Acompanhe também nossas publicações pelo Twitter e Facebook (#8M e #Inesc8M).

Por Layla Maryzandra, pedagoga, educadora social do Inesc e coordenadora do Fórum de Juventude Negra do DF e Entorno (Fojune).

As narrativas que acompanham o surgimento do Dia Internacional da Mulher são conseqüências de vários fatos históricos ocorridos entre direitos sociais e políticos de mulheres que se iniciaram na segunda metade do século 19 e se estenderam até os dias atuais. É um dia legítimo de memória e continuidade daquelas que rasgaram as mantas instauradas pelo patriarcado, impulsionando perspectivas para um debate inicial de gênero.

No entanto, as mulheres que instigaram esse debate neste período são as mesmas que foram formadas para não refletir, em primeira instância, sobre as desigualdades raciais e de gênero, e até mesmo de classe. Tendo pouco ou nenhum impacto em suas reflexões sobre o que ocorreu às mulheres negras entre os séculos 16 e 19 nas Américas, no período de tráfico negreiro, ou o que ocorreu pós-abolição no Brasil. Isso revela o abismo que o racismo provoca mesmo em mentes que buscam emancipação de um grupo oprimido.

Transgredindo as fronteiras instauradas pelo racismo, a mulher negra já trazia elementos ancestrais, que dialogam com o que a gente conhece hoje como interseccionalidade, isso através de uma herança malunga, onde foi recriado laços políticos e estratégias de sobrevivência.

E por que é uma herança malunga? Como isso dialoga com o movimento de mulheres no dia 8 de março e uma ruptura de uma lógica colonial? Bom, primeiro é importante compreender que a palavra ‘malungo’ vem de uma perspectiva epistemológica afrocêntrica, tecendo referências que ainda estão longe de serem aceitas no mesmo prisma dos modelos judaico-cristão e anglo-saxões, mas que exprimem de fato o que é a organização política de negros em diáspora.

A palavra ‘malungo’ vem dos povos de matriz bantu da África Central e Oriental, particularmente entre os falantes das línguas kikongo, umbundu e kimbundu. Entre seus vários significados, que dependem do tempo e lugar, está “companheiro de viagem”, termo utilizado pelos negros escravizados com os que estavam na mesma situação que ele no navio negreiro.

A interccionalidade é uma teoria que explica como diferentes estruturas de poder interagem na vida das minorias, especialmente mulheres negras. O nome foi dado pela afroamericana Kimberlé Crenshaw em meados dos anos 1980. O conceito refere-se à continuidade de antigas articulações dentro do movimento de mulheres que sentiam a necessidade de pensar para além das lentes coloniais.

Elas compreenderam o verbo malungar muito cedo, e levaram isso para a organização política de mulheres negras, com um olhar interseccional: é por meio do companheirismo, ou da irmandade, construída a partir da perda, da ruptura, mas também da transgressão identitária, que a ação ancestral de sobrevivência, incorporada em diáspora, vem sendo costurada. A travessia entre África e América propiciou violências, mas também desencadeou solidariedades entre grupos que poderiam ser inclusive inimigos étnicos em suas respectivas regiões na África.

Nota-se então a malunagem ativa na organização política de mulheres negras, pois as companheiras de viagem ainda navegam em um mar racista, sexista e classista, que estrutura suas vivências de forma subalterna. Mas as malungas ainda emergem na luta, respeitando as experiências comuns e distintas de cada uma.

É a consciência coletiva da mulher negra que traz a ruptura das invisibilidades, que chama atenção para as lacunas existentes na luta de mulheres, do negro e nas políticas de classe. Assim temos a insurreição de quem não tinha direito nem ao próprio corpo, mas que recriou no infortúnio a emergência de outras subjetividades, trançadas com o termo da interseção nas demandas.

É a malunga pondo ordem na casa. As experiências comuns entre as mulheres não podem desconsiderar as desigualdades existentes a este grupo.

Quando mulheres negras chamam atenção sobre interseccionar às lutas, ela demonstra que apesar de estar num espaço extremamente marginalizado, esse mesmo espaço faz com que ela visualize a sociedade de outra forma: isso é herança malunga, é ver para além das brechas do navio, são os elementos simbólicos de sua origem reacendendo em suas memórias através do discurso político.

Assim, a mulher negra foi convivendo com esses saberes simbólicos, que foram se organizando e reorganizando, tanto para dentro do movimento de mulheres como para fora, em combate a uma conjuntura que nunca foi favorável a elas. O próprio 8 de março – Dia Internacional da Mulher, ainda não é um dia em que todos os movimentos de mulheres negras se sintam confortáveis para chamar de seu, e para atribuí-lo a uma luta histórica sua também, devido à deslegitimidades e silenciamentos ainda presentes no movimento de mulheres.

No entanto, nota-se uma renovação nas demandas desse dia de luta,  mesmo que a  inclusão das demandas, discutidas pela interseccionalidade, não estejam no formato ideal, já se alcança aos poucos o que se espera. Possivelmente a Marcha de Mulheres Negras ocorrida em novembro de 2015 com presença de cerca de 40 mil mulheres contribuiu para dar um fôlego a isso no Brasil. O slogan dessa marcha foi: “Contra o racismo e pelo Bem-Viver”, com uma carta que resume tudo que o Estado deveria ter feito há 130 anos, pós-abolição. São demandas que o movimento social, seja de mulheres, negro, LGBTI, ou qualquer outro que tenha mulher negra, deve se ater.

As malungas provocam uma crítica radical de mudança social, suas demandas de outrora não deixam de ser demandas atuais.

No chamamento da greve internacional para este dia 8 de março de 2017 estão envolvidos pelo menos 30 países, boa parte deles vivendo um contexto de retrocesso político, o que só fortalece o contexto levantado pela carta da Marcha de Mulheres Negras no Brasil, além de marchas e protestos ocorridos recentemente na Argentina e nos Estados Unidos.

A greve internacional de mulheres representa um passo importante para um novo ciclo de legitimação das demandas de povos historicamente discriminados. Com o slogan “Se nosso trabalho não vale, produzam sem nós”, há de se refletir que o trabalho em massa está nas mãos desses povos, sobretudo das mulheres negras.

As vozes malungas estão ecoando seus saberes e conhecimentos, legitimando e partilhando uma nova ordem para instauração de outra matriz civilizatória. Qualquer avanço adquirido por mulheres negras nunca será um avanço individual; o avanço delas é a transgressão de toda uma sociedade.

Vamos falar sobre Gênero, Raça e Etnia?

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Notas de uma mulher negra sobre o 8 de março

Inesc - qua, 08/03/2017 - 12:50

Nesta Semana da Mulher, o Inesc vai atuar em parceria com o site Outras Palavras com a publicação conjunta de artigos que examinam questões importantes de gênero e do movimento feminista em nosso cotidiano.

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Por Layla Maryzandra, pedagoga, educadora social do Inesc e coordenadora do Fórum de Juventude Negra do DF e Entorno (Fojune).

As narrativas que acompanham o surgimento do Dia Internacional da Mulher são conseqüências de vários fatos históricos ocorridos entre direitos sociais e políticos de mulheres que se iniciaram na segunda metade do século 19 e se estenderam até os dias atuais. É um dia legítimo de memória e continuidade daquelas que rasgaram as mantas instauradas pelo patriarcado, impulsionando perspectivas para um debate inicial de gênero.

No entanto, as mulheres que instigaram esse debate neste período são as mesmas que foram formadas para não refletir, em primeira instância, sobre as desigualdades raciais e de gênero, e até mesmo de classe. Tendo pouco ou nenhum impacto em suas reflexões sobre o que ocorreu às mulheres negras entre os séculos 16 e 19 nas Américas, no período de tráfico negreiro, ou o que ocorreu pós-abolição no Brasil. Isso revela o abismo que o racismo provoca mesmo em mentes que buscam emancipação de um grupo oprimido.

Transgredindo as fronteiras instauradas pelo racismo, a mulher negra já trazia elementos ancestrais, que dialogam com o que a gente conhece hoje como interseccionalidade, isso através de uma herança malunga, onde foi recriado laços políticos e estratégias de sobrevivência.

E por que é uma herança malunga? Como isso dialoga com o movimento de mulheres no dia 8 de março e uma ruptura de uma lógica colonial? Bom, primeiro é importante compreender que a palavra ‘malungo’ vem de uma perspectiva epistemológica afrocêntrica, tecendo referências que ainda estão longe de serem aceitas no mesmo prisma dos modelos judaico-cristão e anglo-saxões, mas que exprimem de fato o que é a organização política de negros em diáspora.

A palavra ‘malungo’ vem dos povos de matriz bantu da África Central e Oriental, particularmente entre os falantes das línguas kikongo, umbundu e kimbundu. Entre seus vários significados, que dependem do tempo e lugar, está “companheiro de viagem”, termo utilizado pelos negros escravizados com os que estavam na mesma situação que ele no navio negreiro.

A interccionalidade é uma teoria que explica como diferentes estruturas de poder interagem na vida das minorias, especialmente mulheres negras. O nome foi dado pela afroamericana Kimberlé Crenshaw em meados dos anos 1980. O conceito refere-se à continuidade de antigas articulações dentro do movimento de mulheres que sentiam a necessidade de pensar para além das lentes coloniais.

Elas compreenderam o verbo malungar muito cedo, e levaram isso para a organização política de mulheres negras, com um olhar interseccional: é por meio do companheirismo, ou da irmandade, construída a partir da perda, da ruptura, mas também da transgressão identitária, que a ação ancestral de sobrevivência, incorporada em diáspora, vem sendo costurada. A travessia entre África e América propiciou violências, mas também desencadeou solidariedades entre grupos que poderiam ser inclusive inimigos étnicos em suas respectivas regiões na África.

Nota-se então a malunagem ativa na organização política de mulheres negras, pois as companheiras de viagem ainda navegam em um mar racista, sexista e classista, que estrutura suas vivências de forma subalterna. Mas as malungas ainda emergem na luta, respeitando as experiências comuns e distintas de cada uma.

É a consciência coletiva da mulher negra que traz a ruptura das invisibilidades, que chama atenção para as lacunas existentes na luta de mulheres, do negro e nas políticas de classe. Assim temos a insurreição de quem não tinha direito nem ao próprio corpo, mas que recriou no infortúnio a emergência de outras subjetividades, trançadas com o termo da interseção nas demandas.

É a malunga pondo ordem na casa. As experiências comuns entre as mulheres não podem desconsiderar as desigualdades existentes a este grupo.

Quando mulheres negras chamam atenção sobre interseccionar às lutas, ela demonstra que apesar de estar num espaço extremamente marginalizado, esse mesmo espaço faz com que ela visualize a sociedade de outra forma: isso é herança malunga, é ver para além das brechas do navio, são os elementos simbólicos de sua origem reacendendo em suas memórias através do discurso político.

Assim, a mulher negra foi convivendo com esses saberes simbólicos, que foram se organizando e reorganizando, tanto para dentro do movimento de mulheres como para fora, em combate a uma conjuntura que nunca foi favorável a elas. O próprio 8 de março – Dia Internacional da Mulher, ainda não é um dia em que todos os movimentos de mulheres negras se sintam confortáveis para chamar de seu, e para atribuí-lo a uma luta histórica sua também, devido à deslegitimidades e silenciamentos ainda presentes no movimento de mulheres.

No entanto, nota-se uma renovação nas demandas desse dia de luta,  mesmo que a  inclusão das demandas, discutidas pela interseccionalidade, não estejam no formato ideal, já se alcança aos poucos o que se espera. Possivelmente a Marcha de Mulheres Negras ocorrida em novembro de 2015 com presença de cerca de 40 mil mulheres contribuiu para dar um fôlego a isso no Brasil. O slogan dessa marcha foi: “Contra o racismo e pelo Bem-Viver”, com uma carta que resume tudo que o Estado deveria ter feito há 130 anos, pós-abolição. São demandas que o movimento social, seja de mulheres, negro, LGBTI, ou qualquer outro que tenha mulher negra, deve se ater.

As malungas provocam uma crítica radical de mudança social, suas demandas de outrora não deixam de ser demandas atuais.

No chamamento da greve internacional para este dia 8 de março de 2017 estão envolvidos pelo menos 30 países, boa parte deles vivendo um contexto de retrocesso político, o que só fortalece o contexto levantado pela carta da Marcha de Mulheres Negras no Brasil, além de marchas e protestos ocorridos recentemente na Argentina e nos Estados Unidos.

A greve internacional de mulheres representa um passo importante para um novo ciclo de legitimação das demandas de povos historicamente discriminados. Com o slogan “Se nosso trabalho não vale, produzam sem nós”, há de se refletir que o trabalho em massa está nas mãos desses povos, sobretudo das mulheres negras.

As vozes malungas estão ecoando seus saberes e conhecimentos, legitimando e partilhando uma nova ordem para instauração de outra matriz civilizatória. Qualquer avanço adquirido por mulheres negras nunca será um avanço individual; o avanço delas é a transgressão de toda uma sociedade.

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Contra a Reforma da Previdência, superintendência do INSS em Maceió é ocupado por mulheres

MST - qua, 08/03/2017 - 12:26
“Nossa ocupação aqui, soma-se aos atos em todo o país contra qualquer postura que ameace as nossas conquistas"
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Mulheres marcham em Belém contra a reforma da previdência

MST - qua, 08/03/2017 - 12:00
O prédio da Previdência Social em Belém também foi ocupado para denunciar a reforma da previdência e o governo golpista de Michel Temer
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No RJ, manifestantes denunciam os crimes da Vale

No RJ, manifestantes denunciam os crimes da Vale

Na manhã deste dia 8 de março, Dia Internacional da Mulher, militantes do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) e de outros movimentos e organizações sociais cariocas fazem um ato em frente à sede da empresa Vale, na Rua Almirante Guilhem, 378, no Leblon, Zona Sul do Rio de Janeiro.

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Sem Terra denunciam os impactos da Reforma da Previdência

MST - qua, 08/03/2017 - 11:25
As mulheres ocuparam o Incra em Salvador e durante assembleia denunciaram denunciou a Reforma da Previdência e os impactos na vida das camponesas
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8 de março: Meu coração atingida

8 de março: Meu coração atingida Mulheres

Hoje é dia de sermos: Nós mulheres. O feminismo nos ensina a sair dar amarras do cotidiano, rasgar os papéis sociais, abandonar a competição, reinventar-se... pichar, reescrever, glosar, redesenhar, construir a história, rompendo com a linearidade do tempo.

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Camponesas são encarceradas em ônibus em Formosa de Goiás

MST - qua, 08/03/2017 - 10:42
A polícia exige que as mulheres entreguem 03 pessoas para serem presas por conta da ocupação
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Direito à cidade, esfera pública e as mulheres

Inesc - ter, 07/03/2017 - 18:15

Nesta Semana da Mulher, o Inesc vai atuar em parceria com o site Outras Palavras com a publicação conjunta de artigos que examinam questões importantes de gênero e do movimento feminista em nosso cotidiano.

Acompanhe também nossas publicações pelo Twitter e Facebook (#8M e #Inesc8M).

Por Cleo Manhas, assessora política do Inesc.

A proposta aqui é dialogar com outras pessoas sobre as cidades, a esfera pública e as mulheres, tendo como mote o Dia Internacional da Mulher. Bom momento de reflexão sobre o não reconhecimento e as interdições de gênero nos espaços públicos, que em geral são masculinos e tentam, a todo momento e a todo custo, constranger mulheres, devolvê-las ao espaço privado de onde, aparentemente para o machismo e o patriarcalismo, nunca deveriam ter saído.

Bela, recatada e do lar. Essa foi a chamada de uma reportagem feita por uma revista de grande circulação, sobre a atual primeira-dama. Além do reforço a um estereótipo de mulher que cuida do privado enquanto o homem trabalha no espaço público, traz a ideia de que ser do lar é respeitoso, resguarda e protege as mulheres e seus corpos. Um contraponto à luta feminista, em constante disputa pelos espaços públicos e privados, pois nem sempre quatro paredes são protetoras, a violência doméstica é uma constante e, em briga de marido e mulher, é preciso sim meter a colher, tornar público, judicializar e punir agressores.

O controle sobre os corpos das mulheres é muito forte socialmente, por isso essa eterna força que faz das cidades espaços inóspitos e violentos, onde ficamos expostas a assédios de variadas formas. Para muitas a violência que vai além dos assédios, são ao mesmo tempo alvos da violência machista e responsabilizadas por ela, pela forma como interagem no espaço público.

E antes de avançar na reflexão sobre mulheres e cidades, é necessário esclarecer que não é possível falar de mulher ou feminismo no singular, são mulheres e feminismos, visto que há grandes diferenças, por exemplo, quando estamos falando de mulheres brancas, classe média, cisgênero, heterossexuais e mulheres negras faveladas cis e hetero e ainda mulheres, negras, faveladas, lésbicas ou mulheres transexuais. Somos seres multifacetadas, com suas distinções e diferenças. E se as cidades não são amigáveis com o primeiro grupo, imagine com os demais? Além de as cidades terem espaços interditados para mulheres de maneira geral, por serem pensadas por e para homens, há ainda as interdições por privatização de espaços públicos que não permitem a convivência com mulheres negras, lésbicas, trans.Momentos em que todas as desigualdades se juntam em um só corpo.

Então: direito à cidade e feminismo, o que temos a dizer sobre isso? Por que a relação ou a não relação? Como perguntaria um cineasta brasiliense, a cidade é uma só? Há várias cidades na cidade. Divididas e hierarquizadas, em geral segregadas. Os locais mais centrais, onde concentram os postos de trabalho não são os mais habitados, ao contrário, a maior parte da população precisa se descolocar por grandes distâncias. E aí mora o perigo, as mulheres de baixa renda gastam mais de três horas em deslocamentos, saem de suas casas muito cedo, ainda escuro, e retornam muito tarde. Os bairros periféricos, em geral, são pouco iluminados e inseguros. O transporte público é de má qualidade e lotado, facilitando o assédio que é corriqueiro em ônibus, metrôs e trens.

A resposta dada por alguns governos municipais aos assédios em transporte público foi, no caso do metrô, criar vagões exclusivos. Foi uma decisão polêmica, sem consenso, mesmo entre os movimentos feministas. E sem querer discutir se os vagões são necessários ou não, só uma problematização: as mulheres que não estiverem nos vagões exclusivos estão liberadas para serem assediadas? Ao que parece esta decisão mais uma vez as responsabiliza pela violência sofrida, ao precisarem ficar segregadas se não quiserem sofrer violações. Os espaços públicos não estão abertos e liberados, elas precisam esconder seus corpos se quiserem respeito.

As cidades em geral não são amistosas com a população periférica, mas as mulheres sofrem mais. Só no dia 2 de março o jornal Correio Braziliense veiculou uma notícia em três partes, a manchete principal dizia que na noite anterior uma jovem de 19 anos havia sido estuprada na parada de ônibus. Na sequência diz que uma aposentada de 62 anos foi estuprada por um vizinho embriagado. Por último, uma criança de 12 anos sofreu violência sexual no caminho da escola. Isso em apenas um dia na capital do país. Casos que foram registrados, pois há inúmeros não computados porque os equipamentos públicos oferecidos nas cidades para as mulheres registrarem ocorrência também não são amigáveis. Na maioria das vezes a vítima “torna-se” a culpada, conforme já problematizado aqui.

Como e por quem são pensadas as políticas públicas?

Historicamente as cidades foram divididas entre lugares para homens e lugares para mulheres, entendendo o público como masculino e o privado como feminino. No entanto, esta realidade mudou e as mulheres ocuparam os espaços públicos, porém, a geografia desses espaços não acompanhou as mudanças na mesma velocidade, até porque, vivemos em uma sociedade machista, racista, classista, valores que sustentam um sistema capitalista que a tudo privatiza, especialmente, a urbis.

E não há tradição no Brasil de se pensar políticas e planos participativamente, ouvindo de fato as usuárias de tais serviços públicos. Não é assim com a saúde e educação, que são tradicionalmente mais vivas no cotidiano das mulheres, o que dizer da mobilidade, apesar de termos de nos deslocar cotidianamente. As cidades não foram planejadas para as pessoas, mas sim para o capital, para as grandes empreiteiras e grandes corporações. E as formas de ir e vir e onde é o seu espaço na urbis determinam as relações sociais para com o local.

Mesmo que esses espaços urbanos sejam vivenciados de diversas formas por diferentes grupos sociais e pelos distintos gêneros, apesar de serem públicos, há inúmeras interdições culturais nos variados lugares e recantos das cidades. As distancias e os deslocamentos também são determinantes para as relações sociais nos espaços ditos públicos.

E quem pensa as políticas para as cidades? Sejam de mobilidade, segurança, uso e ocupação do solo? Em geral homens brancos que transitam de carro privado, não utilizam os espaços urbanos de fato, não circulam de transporte público coletivo.

Há reflexões importantes a serem feitas para mudanças de rumo, em primeiro lugar pensar que cidade queremos e quais as políticas necessárias para a sua concretização. A cidade é de todas as pessoas, portanto, as questões de igualdade e de reconhecimento devem estar presentes quando se pensa políticas. E as sujeitas das políticas devem participar ativamente em sua concepção.

É importante pensar a cidade e a esfera pública para quem nela convive, reconhecendo as desigualdades de gênero e, de forma participativa, pensar nas políticas, para que sejam de fato promotoras de direito e construtoras de espaços de convivência que contemplem, respeitem e sejam dignos das diferentes pessoas que nelas vivem.

Vamos falar sobre Direito à Cidade?

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MAB apresenta pauta de reivindicação a deputados federais

MAB apresenta pauta de reivindicação a deputados federais

Em Brasília, lideranças apresentaram principais pontos de reivindicação dos atingidos por barragens durante a jornada de luta de março

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MAB apresenta pauta de reivindicação a deputados federais

MAB apresenta pauta de reivindicação a deputados federais

Em Brasília, lideranças apresentaram principais pontos de reivindicação dos atingidos por barragens durante a jornada de luta de março

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Mulheres Sem Terra denunciam Vale por sonegação de contribuições ao INSS

MST - ter, 07/03/2017 - 16:26
A ação em São Paulo integra a Jornada Nacional de Lutas das Mulheres Sem Terra, iniciada na última segunda-feira em todo o Brasil.
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08 Março: Dia Internacional da Mulher

IEAB - ter, 07/03/2017 - 16:07

Tem bom ânimo, filha, a tua fé te salvou; vai em paz.
Lucas 8:48

Neste Dia Internacional da Mulher, gostaria de chamar a atenção para a grande mobilização que está programada para acontecer em todo o país. Trata-se de uma marcha contra o desmonte do Estado Social, com consequências imediatas sobre a vida, o trabalho e o futuro das famílias brasileiras.

O país inteiro assiste ao espetáculo de redução de políticas sociais, do crescimento do desemprego, das propostas de alteração das regras de aposentadoria, aumentando ainda mais a desigualdade social e expondo ainda mais a vulnerabilidade das mulheres no contexto econômico social do país.

A Conferencia das Nações Unidas sobre o status da Mulher,  que se inicia nestes dias, tratará como tema o empoderamento econômico das mulheres.Em sua maioria, elas, no mundo,  dedicam-se a atividades econômicas na informalidade. Nesta condição, estão fora de qualquer plano de benefícios e direitos, constituindo uma massa trabalhadora barata, explorada e sem nenhum direito. Esta é mais uma violência cometida contra as mulheres. A nossa Provincia se fará representar nesta Conferencia ao lado de muitas anglicanas do mundo inteiro.

Por esta razão, a minha palavra hoje é na direção de que as mulheres brasileiras sejam encorajadas  mais e mais a assumir papel de protagonismo na luta por direitos. O exemplo das mulheres que ocuparam as ruas contra o Governo Trump, levando milhões de pessoas a protestarem contra políticas de exclusão e xenofobia, não deve ser esquecido. Foi um testemunho muito bonito da cidadania com rosto feminino.

As mulheres da IEAB precisam também demonstrar a sua força! Elas vivem o mesmo desafio de suas irmãs: afirmar-se como cidadãs plenas contra o machismo e contra a violência. E aos homens da IEAB eu recomendo que apoiem suas mulheres e sigam com elas aonde for necessário erguer a voz e as bandeiras da justiça e da igualdade! Seja isso na Igreja ou mesmo na rua! Isto porque os direitos das mulheres são direitos humanos!

As lutas das mulheres é a luta da Igreja. Não fazer nada é assumir lado; é colocar a lâmpada debaixo da cama, que não ilumina nada.

Convido as mulheres de nossa Igreja a se articular com os movimentos que estão sendo organizados em todo o país amanhã. Manifestações estão programadas praticamente em todos os estados. Façam a sua parte e transformem a vida da sociedade. Lembrem-se da mulher que teve a coragem de tocar o manto do Senhor. E Ele em resposta a essa coragem lhe disse: tem bom animo, filha, a tua fé te salvou!

Do vosso Primaz,

Francisco de Assis da Silva

Primaz da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil

Diocesano em Santa Maria

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Mulheres ocupam a Vale Fertilizantes em Cubatão - SP

MST - ter, 07/03/2017 - 15:29
Hoje 07/03, cerca de 1500 mulheres ocuparam a Vale Fertilizantes em Cubatão - SP, contra a Reforma da Previdência. Mulheres em resistência, contra a reforma da previdência! #8M
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Movimentos sociais participam da Cúpula do ALBA e dão apoio à Venezuela

MST - ter, 07/03/2017 - 15:08
O encontro culminou com a leitura de um comunicado unitário dos Movimentos Sociais da Alba. Leia aqui.
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Policia militar tenta realizar despejo em acampamento do MST no Paraná

MST - ter, 07/03/2017 - 14:39
Com truculência, a polícia feriu três e destruiu com um trator as roças das famílias.
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Movimentos do campo e cidade repudiam a nomeação de Alexandre de Moraes para o STF

MST - ter, 07/03/2017 - 14:37
Alheio às denúncias de conflito de interesses e plágio, o ex-ministro da Justiça deve ser empossado no dia 22 de março. O cargo no MJ passa a ser ocupado pelo ruralista Osmar Serraglio.
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