BRICS, desenvolvimento, direitos e desigualdades

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O PAD entende que a VI Cúpula dos/as Presidentes/as dos países BRICS, realizada em Fortaleza, evidencia a necessidade construir um novo caminho de desenvolvimento, diferente do adotado pelos países do bloco, que avança sobre territórios, viola direitos e aumenta as desigualdades. Clique aqui para versão em inglês.

 

A Cúpula dos/as Presidentes/as dos países BRICS, realizada em Fortaleza, foi notícia em todo mundo. No entanto, a notoriedade do encontro não se converteu em visibilidade para as desigualdades e violações de direitos compartilhadas pelos países do bloco e que ficam escamoteadas quando o assunto é o modelo de desenvolvimento em questão, que concentra riquezas e poder.

O PAD vem lutando para dar visibilidade às consequências desse modelo de desenvolvimento promovido no Brasil como as violações de direitos e o aprofundamento das desigualdades.

Um dos pontos altos do encontro foi o anúncio da criação do Banco dos BRICS, e a  pergunta que fica é: “Brics para quem?”. O banco pode se tornar, além de uma influência forte da China no mundo, um novo “rolo compressor” dos direitos humanos e civis nos países envolvidos.

A instituição funcionará por meio da aprovação de projetos, com o objetivo principal de financiar ações de infraestrutura (empreendimentos como hidrelétricas e expansão do setor de mineração).

No âmbito dos governos, os BRICS emergem como um bloco que tem como finalidade incidir mais sobre a arquitetura financeira internacional. No entanto, na prática, a estrutura da instituição em nada vai alterar o modelo de desenvolvimento, que subjuga as economias dos países do hemisfério Sul às necessidades de corporações trasnacionais.

Apesar do destaque dado ao tema do desenvolvimento sustentável, os bloqueios relacionados à inclusão social com sustentabilidade são o problema central e estratégico para o futuro do bloco, pois expõem a natureza do modelo de desenvolvimento dos países membros, baseado em fortes desigualdades sociais e na exploração intensiva de recursos naturais. 

Diante este quadro, os povos dos BRICS deverão demandar que o bloco priorize um novo caminho de desenvolvimento com ênfase na distribuição da renda e riqueza, valorização do trabalho e dos salários, fortalecimento dos direitos das maiorias, que defina limites à voracidade das empresas dos países do bloco que avançam sobre os territórios e usurpam direitos, que estabeleça formas de regulação social e ambiental para os financiamentos do Novo Banco. 

Os projetos de infraestrutura a serem financiados pelo Novo Banco, ao invés de repetirem os desastres socioambientais cometidos pelos bancos nacionais de desenvolvimento, devem dar prioridade a infraestrutura de moradia, saneamento, saúde, educação, apoio a sistemas de produção de alimentos camponeses e familiares, entre tantas outras necessidades urgentes para a conquista de direitos para as maiorias nos cinco países.

 

* Com informações de: Articulação de Mulheres Brasileiras, Inesc, Rebrip, GRRI e dos textos abaixo:

 

Declaração dos Movimentos de Mulheres e Feministas no Encontro da Sociedade Civil Frente à VI Cúpula de Presidentxs dos Países BRICS

 

Carta de Fortaleza

 

BRICS para quem?

 

Um BRICS para os Povos

 

Sociedade civil faz alerta sobre Banco dos BRICS

 

Em Fortaleza, entidades criticam Banco dos BRICS

 

Brics cresce, mas não consegue promover ganhos sociais, diz especialista

Ano: 
2014
Idioma: 
Português